sábado, 18 de abril de 2020

Gestão de pessoas e resultados: é possível estabelecer um fluxo causal?


LACOMBE, B. M. B.; ALBUQUERQUE, L. G. Avaliação e mensuração de resultados em gestão de pessoas: um estudo com as maiores empresas instaladas no Brasil. Revista de Administração, São Paulo, v. 43, n. 1, p. 5-16, jan./fev./mar., 2008.



Guilherme Augusto de Oliveira Freire

(1)  Contexto/problematização relacionado ao tema.

O artigo em questão busca investigar os procedimentos adotados para a avaliação e mensuração de resultados das ações promovidas no âmbito da Gestão de Pessoas em grandes empresas instaladas no Brasil. Além disso, destaca também o aumento nos estudos voltados para essa área do conhecimento e busca apresentar as diferentes abordagens sobre o tema.

(2)          Relevância e justificativa.

O tema abordado assume significativa relevância no âmbito da gestão organizacional, afinal, o investimento na área de relações humanas (RH) precisa demonstrar um retorno para as empresas. Nesse sentido, o estudo em questão justifica-se por contribuir para o aprimoramento das ações em Gestão de Pessoas, auxiliando assim, o desenvolvimento da administração estratégica de RH. 

(3) Problema de pesquisa, objetivo geral e específicos.

O artigo não define um problema de pesquisa preciso, entretanto, a pesquisa investiga os procedimentos adotados por grandes empresas no âmbito da Gestão de Pessoas. Para isso, os autores discutem as propostas de avaliação a partir de duas abordagens distintas: a avaliação e mensuração dos impactos das ações da Gestão de Pessoas nos resultados organizacionais e a avaliação e mensuração de resultados para RH. O objetivo geral foi realizar um levantamento das ações utilizadas no âmbito da avaliação e mensuração de resultados em Gestão de Pessoas por grandes empresas do âmbito privado instaladas no Brasil.

(4) Referencial teórico.

Tópicos
Detalhamento
Autores
Estudos sobre o impacto das práticas de RH


-Tipo de pesquisa desenvolvido com mais força a partir de 1980;
-Procura encontrar práticas que sejam melhores para as organizações;
-Objetivo é estudar os efeitos  que as políticas e práticas de RH têm no desempenho organizacional;
-Mensuração e avaliação são feitas a partir de uma amostra para verificar se tal prática (ou conjunto de prática) afeta os índices de desempenho das empresas;
-Esse tipo de pesquisa lida com problemas teóricos e metodológicos;
-Tipologia de estudos:
1-abordagem universalista que objetiva encontrar um conjunto de práticas (as melhores práticas) de RH generalizável para todas as empresas;
2-abordagem contingencial que segue uma perspectiva comportamental e busca apontar quais práticas são relevantes para cada posição estratégicas;
3-abordagem configuracional que busca identificar, em um nível teorético, os fatores (ou padrões de fatores) que podem configurar o desempenho máximo da organização.
Ulrich (1997), Rogers e Wright (1998), Huselid (1995), Becker e Huselid (1998), Becker; Huselid E Ulrich (2001), Terpstra e Rozell (1993), Fombrun, Devana e Tichy (1984), Schuler e Jackson (1987), Delery e Doty (1996).

Estudos sobre mensuração de RH
-Esse tipo de estudo se ampara na mensuração (quantitativa) dos resultados advindos da adoção de políticas e práticas de RH para a organização;
- Padrão de referência: Balanced Scorecard.
-Esse padrão de referência busca relações causais entre: investimentos/custos e resultados;
-Na literatura há certa concordância entre dois tipos de medidas: as operacionais (eficiência das atividades tradicionais) e as estratégicas (efeito das ações na área de RH sobre os processos);
-A própria área de RH também precisa ser avaliada;
-Propostas de mensuração são de natureza aplicada, portanto, não esclarecem base teórica de sua fundamentação: procurar esclarecer a relação de causa entre ações de RH e resultados organizacionais.
Norton e Kaplan (1997), Becker; Huselid e Ulrich (2001), Fitz-Enz (2001), Ulrich (1997), Wrigth e Snell (2001).


(5) Metodologia.

Elementos da pesquisa
Detalhamento
Autores
Tipo de pesquisa
Exploratória e descritiva
-
Abordagem
Quantitativa e qualitativa
-
Método de pesquisa
Pesquisa bibliográfica
-
População/Amostra
Conjunto das maiores empresas (com mais de 500 empregados) privadas instaladas no Brasil.
Exame (2004).



Unidade de Análise
--
-
Unidade de Observação
--
-
Coleta de Dados
Questionários e grupo de foco.
--
Análise de Dados
Análise de conteúdo e análise por correspondência.
Lima (2000) e Albuquerque (2002).

(6) Resultados.

O artigo identifica, a partir de sua análise das ações de mensuração e avaliação no âmbito da Gestão de Pessoas, três grandes grupos de empresas:
-Grupo 01 - avaliação em transição: composto por 52 empresas que realizam algumas atividades de avaliação da Gestão de Pessoas, mas com poucos procedimentos estruturados e foco nos interesses dos acionistas e da estratégia organizacional. Contudo, há procedimentos mais estruturados na área de RH;
-Grupo 02 - avaliação em estágio inicial: composto por 13 empresas, onde não há avaliação da Gestão de Pessoas, apenas poucos procedimentos e as práticas de RH têm prioridade;
-Grupo 03 - avaliação completa: composto por 23 empresas em que todas as etapas da avaliação da Gestão de Pessoas são contempladas, além da adoção de instrumentos de gestão como o Balanced Scorecard e a Gestão por Competências.
Os autores destacam também os seguintes resultados como mais importante para a Gestão de Pessoas: Gestão de clima (28%); Agregador para resultados organizacionais (produtividade, lucratividade etc.) (27%); Alinhamento das pessoas à organização (25%); Indicadores organizacionais: lucratividade, vendas, produtividade etc. (25%); Satisfação dos empregados (21%); Desenvolvimento das pessoas (15%); Retenção (15%); Atração (10%); Satisfação dos clientes (10%); Competência (10%); Comprometimento (8%); Diminuição da rotatividade (6%) e Outros (6%).
Em geral, o artigo aponta que o processo de avaliação da Gestão de Pessoas na maioria das empresas ocorreu de modo reativo, que há dificuldade em estruturar políticas e práticas para o comportamento da gestão e que a maioria das empresas ainda se encontra em transição, portanto, não há um fluxo causal definido.

(7) Considerações finais.

Os autores concluem que, nas empresas pesquisadas, não é assumida uma abordagem sistêmica da Gestão de Pessoas, o que faz com que certas decisões sobre políticas e práticas sejam tomadas de forma isolada na gestão. Além disso, apontam que os resultados buscados pela Gestão de Pessoas são, por vezes, muito amplos e que isso dificulta o estabelecimento de um fluxo causal entre as ações da gestão e os resultados. Contudo, o artigo também confirma a importância de um programa de Gestão de Pessoas estruturado para a avaliação e mensuração dos resultados, pois se entende que as contribuições desse programa beneficia a estratégia organizacional como um todo. De toda forma, os autores reconhecem a limitação amostral da pesquisa em questão e destacam a necessidade de outras pesquisas na área.

 (8) Apreciação crítica - duas perguntas.

O artigo aborda uma temática ainda em construção, apesar do crescente número de estudos na área. O tema se mostra muito relevante, especialmente, pela abordagem adotada no artigo que busca integrar aspectos quantitativos e qualitativos na análise. Além disso, a discussão teórica dos autores traz boas considerações a respeito das práticas e ações, principalmente, ao enfatizar a importância de sua contextualização em cada organização, ou seja, reconhecendo as particularidades de cada estratégia organizacional. Portanto, considera-se que os autores expõem apontamentos importantes sobre o tema, apresentando uma perspectiva que merece ser aprofundada. Seguem as perguntas:
-O artigo tem seu enfoque em empresas do setor privado, apontando inclusive a centralidade dos resultados financeiros que, em maior ou menor medida, são o que mais importa para as decisões das organizações. Levando em consideração esse cenário, como lidar com o fato de que as ações, práticas e políticas da Gestão de Pessoas, comumente, envolvem retornos em longo prazo se, no âmbito privado, o resultado financeiro imediato, em geral, é o que norteia as decisões?
-Conforme os resultados da pesquisa realizada no artigo, poucas empresas realizam o processo de avaliação por completo e a maioria delas iniciou seu processo de avaliação de modo reativo. Considerando esse panorama, é possível inferir que as ações de avaliação da Gestão de Pessoas não têm prioridade na gestão? O melhor detalhamento do fluxo causal entre as ações da Gestão de Pessoas e os resultados seria o caminho mais eficiente para direcionar a atenção das empresas para esse tema?

TRAJETÓRIAS DE VIDA E DE TRABALHO FLEXÍVEIS: O PROCESSO DE TRABALHO PÓS-BRAVERMAN


RODRIGUES, Maria Beatriz. Trajetórias de vida e de trabalho flexíveis: o processo de trabalho pós-Braverman. Caderno EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v.12, n.4, 2014.

1)           CONTEXTO/ PROBLEMATIZAÇÃO

Muitas mudanças ocorreram no processo de trabalho desde a publicação do livro “Trabalho e Capital Monopolista” de Harry Braverman. No ano de 1973 ocorreu a crise energética mundial que modificou as relações econômicas, comerciais e como consequência, as produtivas e de trabalho. A crise encontrou grandes empresas e conglomerados, com salários elevados e sindicatos fortes, característica que as impedia de continuar com o mesmo tipo de estrutura e competir em um mercado inflacionado. A indústria pós-Fordista representou uma alternativa no momento de crise, por representar a busca por maior produtividade com menos recurso, com relações mais diretas entre o trabalhador e o produto do seu trabalho. O principal exemplo, é o Modelo Japonês ou Toyotismo, que introduz conceitos como participação da mão de obra, produção centrada em times, ou células de produção, ênfase no controle de qualidade e melhorias em cada posto de trabalho.

Com a prosperidade da indústria japonesa no anos de 1980 e 1990, o modelo foi difundido no mundo como a melhor alternativa para introduzir novos critérios de competitividade, requeridos pela globalização. Levando consigo grandes mudanças nas relações de trabalho, com o uso da flexibilização de contratos onde há convivências entre trabalhadores centrais para a produção e subcontratados, concentrando esforços nas atividades-fim e terceirizando as atividades-meio. A demanda por multifuncionalismo e multiqualificação coloca no centro a flexibilização do trabalho, transformando em tema recorrente nas discussões em ciências sociais há pelo menos três décadas.

2)           RELEVÂNCIA E JUSTIFICATIVA

O que torna a pesquisa relevante e a justifica é o fato dos autores terem convicção de que há um aprofundamento no uso das formas de flexibilidade do trabalho como estratégia produtiva, com consequências tanto para o trabalho quanto para os trabalhadores.

3)           PROBLEMA DE PESQUISA, OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICOS

A principal indagação da pesquisa refere-se aos impactos da flexibilidade nas relações de trabalho desde o início da sua aplicação.
O artigo parte de uma realidade conhecida, que é crescente a flexibilização do mercado de trabalho, e discute as consequências dessas mudanças para a vida dos trabalhos.
Para atingir esse objetivo ele recorre a duas trajetórias de pesquisas, no Brasil e na Itália, por representarem exemplos clarosda evolução pós-Braverman. A discussão e baseada em experiências pessoais e profissionais na Itália desde 1988, assim como as trajetórias de pesquisa sobre as relações de trabalho no modelo japonês de organização da produção desde o final dos anos de 1980 no Brasil.

4)           REFERENCIAL TEÓRICO

Tópicos
Detalhamento
Autores
Introdução
Críticas e reconhecimento sobre a influência do livro "Trabalho e Capital Monopolista de Harry Braverman
O trabalhador flexível tem "vida líquida"
Altos níveis de rotatividade, tanto o trabalho como o trabalhador parecem dercaráveis
Análise de conteúdo
Mudança significativa nos postos de trabalho no Brasil
Na Itália cresce o uso da ferramenta de flexibilização do trabalho
A flexibilidade exige mudanças constantes no estilo de vida do indivíduo
Litter e Salamn (1982)
Bauman (2005)
Gonzaga (2003)
Moraes (2003)
Rodrigues (1991, 2001)
Passalacqua (2007), Mariucci (2005), Fontana (2002)
Bauman (2005)
De Braverman ao Pós-Fordismo
Críticas a Braverman
Mudanças nas organizações, cisão entre propriedade e comando
Organizações tornan-se mais complexas e mais "departamentalizadas"
Braverman foi chamado de "coruja de Minerva" por olhar para a industria do passado
Fordismo
Modelo Japonês ou Toyotismo
Trabalhadores centrais e trabalhadores periféricos
Impactos no trabalho pós-fordista
"Capitalismo flexível" e flexibilidade organizacional
Mundo ocidental pós guerra fria é um mundo capitalista e liberal
"Mudanças em aspectos íntimos da vida pessoal estão diretamente ligados ao estabelecimento de conexões sociais de grande amplitude"




Meiksins (1996)
Braverman (1974)
Janoski e Lepadatu (2014)
Wood (1991)
Graham (1996)
Shonberger (1992), Oliver e Wilkinson (1998), Sayer (1986)
Sennet (1999)
Fukuyana (1992)
Giddens (2002)
Notas sobre a flexibilização do trabalho no Brasil
As indústrias no Brasil no século XIX/ XX
Desenvolvimento capitalista brasileiro
Produção ou organização flexível
Modelo "enxuto" de reestruturação da produção
Rotatividade a despeito de leis que favorecem os trabalhadores em disputas trabalhistas
Reestruturação produtiva das empresas brasileiras
A flexibilização do trabalho e as mudanças complexas que atingem o estilo de vida do trabalhador
Fim do trabalho
Utilização de mão de obra atípica
Classificação dos tipos de flexibilidade do trabalho
Humphrey (1987)
Antunes (2006)
Rodrigues (1991, 1993, 2001)
Gonzaga (2003)
Pochmann (2012)
Ibid (p.2)
Bauman (2005)
Rifkin (2004) e Antunes (1995)
Pochmann (2006), Kóvacs (2004), Noronha (2003), Mariucci (2005)
Atkinson (1984), Atkinson e Meager (1986)
Piccinini, Oliveira, Rubenich (2006)
Trajetórias de vida e de trabalho flexíveis no Itália
A história do trabalho flexível na Itália
Análise de conteúdo
Dificuldade de planejamento de vida privada
Tapia (2003)
Tapia (2003), Vasapollo (2006)
Moraes (2003)
Istat (2006)
Considerações finais: Vivendo a vida flexível
As empresas flexibilizam e o esforço de se adaptar recai sobre o indivíduo
As caracteristicas do trabalho tradicional são alteradas ou deixam de existir no trabalho flexível
Menor utilização dos postos de trabalho
Diminuição dos postos de trabalho e aumento vertiginoso da produtividade no mundo
Novas interprestações para o trabalho
"Modernidade e vida líquidas"
A mudança não se adapta nem às expectativas nem ao controle humanos
Dificuldade de trajetórias pessoais mais definidas
Sennet (1999)
Vasapollo (2006)
Antunes (1995, 2006), Rifkin (2004), Sennet (1999)
Rifkin (2004)
Bauman (2005)
Giddens (2002)
Ibid (p. VIII)

5)           METODOLOGIA

Elementos de
Pesquisa
Descrição
Autores
Tipo de Pesquisa
Descritiva
-
Abordagem
Qualitativa
-
Método
Estudo de caso, pesquisa bibliográfica e documental
-
População
Na Itália - depoimentos de 1537 pessoas sobre experiências decorrentes da flexibilização dos contratos de trabalho no país
-
Amostra
Na Itália - foram escolhidos 153 do total de depoimentos pelo significado concreto mas também vivencial
-
Unidade de Análise
Impactos da crescente flexibilização nas relações de trabalho
-
Unidade de Observação
Trabalhadores do Brasil e Itália
-
Sujeitos
Trabalhadores
-
Coleta de Dados
- Para discussão no Brasil, foram utilizados dados de pesquisas sobre adoção do modelo japonês de gestão em grandes empresas do Rio Grande do Sul, realizados entre 1990 e 2001
- Para ilustrar o caso italiano foi utilizado material empírico de um blog, proposto por jornal de grande circulação nacional, que envolveu o depoimento de 1029 pessoas sobre experiências decorrentes da flexibilização dos contratos de trabalho no país
-
Análise de Dados
Análise de Conteúdo
Moraes (2003)
6)           RESULTADOS

O estudo coloca os desafios que a flexibilização leva para as relações de trabalho. O foco foi analisar o depoimento de trabalhadores submetidos a contratos atípicos de trabalho que encontram dificuldades no dia a dia da sua vida prática. Foi verificado que esses trabalhadores sentem pouco representados pelos sindicatos e desvalorizados em suas qualificações. Por outro lado os sindicatos demonstram dificuldades em atingir esses trabalhadores que ficam isolados e pulverizados entre muitas categorias. O Estado enfrenta limitações na decodificação dos determinantes e das consequências da precariedade dos contratos. Esses desencontros levam a vivência nas empresas de trabalho precário, sem perpectiva de futuro e com grande insatisfação dos trabalhadores.

7)           CONSIDERAÇÕES FINAIS

As empresas flexibilizam para se adaptar aos mercados e evitar a rotina burocrática, porém esse esforço recai sobre os indivíduos, que precisam mudar as formas conhecidas e seguras de trabalhar e se relacionar com o mercado de trabalho.

Desde o início do século a perda de postos de trabalho é uma questão que têm ocupado a agenda dos países em vários continentes, a produtividade cresce e provoca perdas nos postos de trabalho. O trabalho tem se transformado e exigido novas leituras.A flexibilidade organizacional gera melhorias contínuas e o nível de exigência é sempre atualizado, novas qualificações são requeridas e permanecem novas por pouco tempo.

A flexibilidade é parte de um processo lógico das relações de trabalho, uma transformação gradual e decorrente de solicitações econômicas e sociais às organizações e aos trabalhadores. A vida mudou de forma drástica e as garantias de estabilidade desapareceram. Como consequência temos a redução do número de trabalhadores diretos com a escolha das empresas recaindo nos contratos temporários e os trabalhadores impactados nas suas trajetórias de vida.

8)           APRECIAÇÃO CRÍTICA

A flexibilidade trouxe mudanças importantes nas relações de trabalho e sobre o trabalhador recai o maior ônus e o desafio de se adaptar a essa nova realidade. Esse trabalhador agora precisa se reinventar e se aperfeiçoar constantemente para estar apto ao mercado.O lado perverso da flexibilização é a dificuldade do trabalhador em definir seus objetivos pessoais e zelar pela sua subsistência.

A flexibilidade pode criar novos postos de trabalhos, mas até que ponto o trabalhador deve se sujeitar a esse tipo de colocação com garantias mínimas e redução de direitos? 

É possível pensar em modelo de flexibilização que atenda aos objetivos da organização mas que possa também trazer benefícios ao trabalhador?

OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS E O FUTURO DO TRABALHO: DEBATES RECENTES


RESENHA: KOVACS, I; Os avanços tecnológicos e o futuro do trabalho: debates recentes.Atas do XVI ENSIOT. pp. 10-23  Lisboa: novembro de 2015

OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS E O FUTURO DO TRABALHO: DEBATES RECENTES

A autora procura em seu artigo apontar as definições quanto aos rumos do trabalho baseadas em duas correntes de pensamento a respeito dos avanços tecnológicos e seus impactos no mundo do trabalho. Para seu contraponto, Ilona utiliza-se do mito do empreendedorismo que defende que o futuro do trabalho está mesmo na prestação de serviços através de plataformas virtuais e distante do padrão de salário, benefícios e seguridade trazidos pelo tradicional vínculo empregatício. Do outro lado analisa as discussões vigentes em torno da relação entre tecnologias digitais e o emprego.
A relevância do estudo de Ilona está em problematizar uma situação real que já se configura diante de muitas nações: o aumento do trabalho autônomo, com iniciativas empreendedoras e através de plataformas virtuais. Fenômeno muito associado a diminuição do emprego formal e que aponta para uma conjuntura de raízes na política, economia e sustentabilidade ambiental.
O que a autora parece problematizar em sua pesquisa é se de fato quais os impactos dos avanços tecnológicos para o mundo do trabalho. Tendo como objetivo geral percebe-se a necessidade de enxergar a trajetória dos avanços tecnológicos e seus impactos no mundo do trabalho. Como objetivos específicos demonstra pretender demonstrar como plataformas digitais e empreendedorismo fora conjugados para provocar o mercado e desaceleração. Em segundo lugar apontar os riscos de uma polarização social mediante o uso empregado atualmente às tecnologias digitais. E por ultimo propõe-se algumas sugestões de políticas para a solução de problemas do mundo do trabalho na era digital.
Como referencial teórico, os autores apresentam:
TEMA
DETALHAMENTO
AUTORES
Plataformas digitais e empreendedorismo
Impactos do aumento do uso das plataformas digitais e do empreendedorismo no mundo do trabalho
Handy (1984)
Bridges (1990)
Zysman, Kenney (2014)
Malone (2004)
Malone, Laubacher e Johns (2011)
DePillis (2015)
Weiner (2015)
Haltiwanger (2012 e 2014)
Hathaway (2014)
Tecnologias Digitais e o emprego
O risco de se estabelecer a polarização social
Zysman, Kenney (2014)
Braynjollfson, McAfee e Spence (2014)
Autor (2010)
Dorn (2013)
Braynjollfson, McAfee e Spence (2014)
Rotman (2013)
Frei e Osborne (2013)
Lisboa (1994)
Castel (1995)
Gorz (1997)
Bourdiel (1998)
Boutanski e Chiapello (1999)
Castells (1998)
Beck (2000)
Stiglitz (2013)
Piketty (2014)
Baker (2014)
Mishel (2012 e 2014)
Possíveis saídas
Sugestões de políticas para a solução dos problemas do mundo do trabalho na era digital
Braynjollfson, McAfee e Spence (2014)
Stiglitz (2013)
Kovács (2002 e 2015)
Piketty (2014)
Gorz (1997)
Rifkin (1995)
Como Metodologia os autores apresentam a seguinte descrição:
TEMA
DETALHAMENTO
AUTORES
Tipo de pesquisa
Descritiva
-
Abordagem
Qualitativa
-
Método
Revisão Bibliográfica
-
População
-
-
Amostra
-
-
Unidade de análise
O Mito Empreendedor
-
Unidade de Observação
Tecnologias Digitais
-
Coleta de dados
Bibliográfica
-
Analise de Dados
Revisão Bibliográfica
-
Como Resultados os autores apresentam:
TEMA
DETALHAMENTO
AUTORES
Manutenção do trabalho humano
Desenvolvendo as competências em que a máquina nunca vi ser excelente
Braynjollfson, McAfee e Spence (2014)

Controle do uso das plataformas digitais
Criação de políticas públicas e aumento da fiscalização e tributação
Kovacs (2015)
Piketty (2014)
Utilização das tecnologias de forma positiva 
Promovendo simultaneamente produtividade e qualidade de vida
Stiglitz (2013)

A autora conclui que o trabalho com uso das tecnologias virtuais tal qual o conhecemos apresenta um avanço do ponto de vista dos recursos e acessos a que se pode chegar pela economia que essas tecnologias podem representar. Além dos ganhos em velocidade e eliminação de erros. Porém essa economia mascara o proporcional aumento do desemprego, o excesso de especialização do próprio trabalho que segrega o trabalhador pouco formado e torna o mercado polarizado. Para a autora a única saída está em políticas públicas e fiscais coerentes e com o aumento do controle.
Considera-se a discussão proposta muito pertinente porque problematiza o uso das tecnologias virtuais para o trabalho também do ponto de vista crítico, considerando o custo dessa economia para a saúde e o emprego do trabalhador. Além disso, o artigo leva a confrontar de forma realista as vantagens, mas também as desvantagens do uso de tecnologias virtuais.